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Após perda de seus filhos se esforça ainda mais pra superar
Quando chegou ao Palmeiras em 2007, Pierre virou titular sem dificuldade e em pouco tempo se tornou o atleta favorito da torcida depois do goleiro Marcos. Mas a felicidade dentro dos gramados contrastou com uma série de adversidades na vida pessoal do jogador.
No período de um ano, Pierre viu sua esposa, Moema, perder dois bebês. Em julho de 2008, ela deu luz a gêmeos, que nasceram prematuramente com sete meses. O menino faleceu algumas horas após o parto, enquanto a menina, Pietra, permaneceu no hospital por três meses até se recuperar.
Há duas semanas, o jogador voltou a perder um filho. Desta vez, Moema sofreu um aborto com cinco meses de gravidez. Menos de dois dias depois, no entanto, o jogador estava em campo contra o Santos.
Na verdade, esta rotina infeliz na vida de Pierre foi contornada graças a um motivo: a força psicológica encontrada nos jogos e na torcida do Palmeiras.
Em entrevista ao UOL Esporte, o volante falou pela primeira vez sobre a perda recente e a tentativa de recuperação apoiada nas vitórias do time alviverde. Pierre também comentou a mudança no comando da equipe e suas origens como meia no futebol.
Confira os principais trechos da entrevista:
UOL Esporte – Você é um dos jogadores favoritos da torcida palmeirense ao lado do Marcos. Qual foi o papel dos fãs na recuperação desses problemas que passou?
Pierre: O apoio que eu recebi da torcida foi fundamental. Os fãs sempre me deram força ao me encontrar e mandaram muitos emails para mim. O apoio que recebo fora de campo me deixa alegre e me dá força, vontade para continuar. Por isso, não tinha nem como parar de jogar, senão me sentiria até pior.
UOL Esporte – Em nenhum momento você pediu para ser afastado. Por que decidiu seguir atuando? Não precisava de um tempo?
Pierre: As alegrias que tenho dentro de campo amenizam esse tipo de dor. Minha esposa sempre me apoiou nessas horas e me ajudou a continuar trabalhando. Foi ela que mandou eu não deixar meus companheiros na mão. Também tenho amigos aqui no Palmeiras. Tudo isso me ajuda mais, então para mim é melhor. Se parasse de jogar seria pior para minha cabeça, pois eu faço o que gosto. O apoio da torcida na arquibancada, a ajuda dos jogadores, a alegria por uma vitória. Tudo isso me deixa melhor.
UOL Esporte – Quando você sentiu uma forte identificação com o torcedor do Palmeiras pela primeira vez?
Pierre: Logo na primeira vez que eu vi, senti isso realmente. Mas depois que fiquei afastado pelo problema da minha filha [em 2008], voltei no segundo tempo de um jogo com o Vasco e ouvi meu nome sendo berrado. Foi uma emoção só, era um sonho. O torcedor viu minha luta e isso me deixou bem emocionado. Parecia que a torcida estava em campo comigo.
UOL Esporte – Você começou a carreira como um volante? Quando percebeu que deveria se dedicar à marcação?
Pierre: Na verdade, eu era meia. Sempre foi assim até eu ir para o Ituano. Até que eu estava na reserva, e o Ruy Scarpino precisava de volantes para um jogo. Eu sempre fui meio chatinho na marcação, então ele perguntou se eu poderia jogar mais recuado. Eu não sabia nada da posição, mas ainda bem que não fui mal. Depois disso, segui como volante.
UOL Esporte – Nos últimos jogos do Palmeiras, você tem atuado com mais liberdade. Tanto, que fez um gol contra o Náutico depois de apoiar pela direita. O Jorginho pediu para você jogar mais na frente?
Pierre: O Jorginho dá essa liberdade para todos nós. O Luxemburgo também deixava, mas o Jorginho chega e conversa com você sobre isso. Ele cobra essa intensidade atrás e na frente. Por isso, tento corresponder subindo um pouco também.
UOL Esporte – E o que você acha da possível efetivação do Jorginho? Acredita que um técnico experiente seria uma pedida melhor?
Pierre: É difícil dizer isso, pois é a diretoria que pode ter uma melhor visão sobre o assunto. O jogador não pode contratar o técnico, mas pode mantê-lo. Creio que se o Jorginho mantiver essa sequência boa, mostrará para todo mundo que tem condições de ficar. Para nós do elenco ele já mostrou isso.
UOL Esporte – Você é um atleta com pouca altura para um volante normal. Acha que isso te atrapalha de alguma forma?
Pierre: Acredito que supero minha estatura com impulsão. Apesar de ter 1,73m de altura, dificilmente perco uma bola no alto por causa dessa impulsão. Tento compensar minha altura com musculação. Também acho que quanto mais baixo, mais ágil a pessoa pode ser e isso me ajuda muito como marcador.
UOL Esporte – Nos últimos anos, o Palmeiras passou a imagem de uma defesa pouco confiável. Você acha que isso te atrapalha ou te ajuda a ter mais destaque?
Pierre: O importante é o que o grupo e o técnico acham. Mesmo existindo essa desconfiança sobre a defesa, isso não chega a transparecer lá dentro. Tento não me preocupar com minha imagem nesse sentindo. O importante é que a defesa tome o menor número de gols possível. E se eu não aparecer para isso acontecer, será ótimo.
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